sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Governo inclui no PAC obra para ligar Paraíba do Sul ao Sistema Cantareira

Obras terão custo de R$ 830,5 mi, segundo Ministério do Planejamento.
Cantareira é um dos principais sistemas que abastecem Grande São Paulo.

Filipe Matoso Do G1, em Brasília

O governo federal incluiu na lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a transposição das águas do rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, para o Sistema Cantareira, um dos responsáveis pelo abastecimento de água na Grande São Paulo, informou nesta sexta-feira (23) o Palácio do Planalto.
A transposição do Paraíba do Sul é um projeto do governo paulista que pretende desviar água do rio para abastecer o Sistema Cantareira, que enfrenta uma crise hídrica por conta da estiagem no Sudeste. O Rio de Janeiro era inicialmente contrário à obra porque a bacia abastece diversos municípios do estado, incluindo a região metropolitana da capital fluminense.

Segundo a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo informou na última semana, o início das obras dependia da inclusão na lista do PAC. Com isso, os contratos firmados podem ser executados por meio do Regime Diferenciado de Contratações (RDC).

O RDC acelera e simplifica procedimentos das licitações porque, entre outros mecanismos, permite a contratação por inteiro de uma obra, sem necessidade de contratar em separado o projeto básico, o projeto executivo e a execução.

Conforme o Ministério do Planejamento, as obras serão executadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e custarão R$ 830,5 milhões. De acordo com a pasta, os recursos serão financiados via Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES).

Segundo estimativas do governo federal, a interligação aumentará, em média, a disponibilidade hídrica no sistema Cantareira em 5,1 metros cúbicos por segundo. De acordo com o Planejamento, as águas do Paraíba do Sul serão levadas ao Cantareira por meio de um canal entre as represas Jaguari (RJ) e Atibainha (SP).
A crise hídrica no estado de São Paulo começou ainda no ano passado e, no início deste ano, o governador Geraldo Alckmin reconheceu que há racionamento no uso de água. Após reunião com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, em novembro, ele chegou a dizer que o estado precisaria de R$ 3,5 bilhões para obras de enfrentamento da crise no abastecimento.
À época da reunião entre Dilma e Alckmin, a Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou à imprensa lista com oito "grandes obras" para o enfrentamento da crise de água no estado. O primeiro item da lista era o que previa a interligação. O documento já estimava em R$ 830 milhões o total da obra.

Conforme a ANA, as obras de interligação foram sugeridas aos ministérios da Interação Nacional e do Planejamento, prevendo que os recursos seriam oriundos do PAC. De acordo com a agência, a estimativa é que as obras fiquem prontas em 14 meses.

No último dia 16, a ANA autorizou a obra de ligação da bacia do rio Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira. O aval foi dado por um grupo de trabalho criado na agência, com representantes dos governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, para discutir soluções para a crise da falta de água em municípios paulistas.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Chinaglia avança após novo indício de cumplicidade entre Eduardo Cunha e doleiro

10/1/2015 14:26
CORREIO DO BRASIL - Por Redação - do Rio de Janeiro

Chinaglia falou a um grupo de parlamentares, em um encontro no Rio
Chinaglia falou a um grupo de parlamentares, em um encontro no Rio
Na corrida à Presidência da Câmara dos Deputados, o parlamentar petista Arlindo Chinaglia (SP) ganha terreno sobre seu principal adversário, Eduardo Cunha, após ter seu nome citado na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF) e ser apontado por seu possível envolvimento com o doleiro Lúcio Funaro, condenado no julgamento da Ação Penal (AP) 470, processo conhecido como ‘mensalão’, segundo denúncia do deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), em seu blog. Segundo o ex-governador fluminense, com esses novos dados sobre possíveis negócios escusos de Cunha, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “acerta na mosca”.
– Quando fui governador, demiti o Eduardo Cunha por conta de suspeitas graves sobre a gestão de dinheiro público – afirmou Garotinho, em entrevista ao Correio do Brasil e ao site de notícias Conexão Jornalismo, durante reunião de apoio a Chináglia, em um restaurante da Zona Sul do Rio.
Chinaglia foi recebido, no encontro, pelas deputadas Jandira Feghali (PCdoB) e Clarissa Garotinho (PR) entre outros. O deputado chegou com um atraso de três horas.
Na entrevista, Garotinho antecipou razões pelas quais acredita que a candidatura de Cunha foi gravemente atingida por documentos que revelam o envolvimento do parlamentar na Lava-Jato.
Clarissa, a escolhida pelo PR para dar as boas vindas à Chinaglia, arrematou em público: “é inaceitável que um homem envolvido até os fios de cabelo no escândalo Lava-Jato possa pleitear a Presidência da Casa”.
Garotinho disse que a chave para chegar à parte mais sensível da candidatura Cunha tem nome e alguns contatos políticos importantes:
– Eric David Bello foi sócio da corretora de valores mobiliários Turfa, sendo responsável por prejuízos milionários no Rio-Previdência e na Prece, o fundo de previdência da Cedae. Ele é homem ligado a Eduardo Cunha e está envolvido até o último fio de cabelo na Operação Lava Jato. Eric e sua mulher foram conduzidos coercitivamente por policiais até a sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro a fim de prestarem esclarecimentos sobre a sua participação no caso – disse o ex-governador.
No seu discurso na Fiorentina, de onde saiu convencido de que levava consigo o apoio de 19 dos 46 parlamentares fluminenses, Chinaglia fez um apelo para que a sociedade se mobilize e impeça a eleição do adversário.
– O eleitor exige exemplo de quem o representa – disse.

Jandira Feghali alertou que estava em jogo mais do que uma disputa pela Presidência:
– Trata-se de uma eleição. Temos que encarar com a seriedade necessária porque não poderemos minimizar esta disputa. Uma derrota poderá colocar em risco o crescimento que o país tem alcançado nos últimos anos, além de comprometer a imagem do Congresso Nacional – disse.
Outros deputados e políticos presentes: o presidente regional do PRB, Eduardo Lopes, Sóstenes Cavalcante, do PSB, Hugo Leal, do PROS, João Batista, presidente do PCdoB, Benedita da Silva, Edson Santos, Jorge Bittar, Fabiano Horta e Chico D’angelo, todos do PT. Jean Wyllys (PSOL), que era aguardado no almoço, alegou problemas de agenda para não comparecer. Mas seu colega de partido, Chico Alencar, também é postulante à Presidência, assim como Julio Delgado e Jair Bolsonaro.
A eleição deverá se realizar em dois turnos e seu término será em 2 de fevereiro.
Possível derrota
Ciente de que a situação, a partir do envolvimento do seu nome no escândalo Lava-Jato, tornou-se nada confortável, Eduardo Cunha já avisou que se transformará no principal opositor do governo Dilma no Congresso caso perca a disputa. Para começar tentará fazer aprovar uma nova investigação sobre a Petrobras. Seria a terceira CPI envolvendo o nome da empresa.
“O depoimento do policial federal conhecido como Careca, que entregava dinheiro de propina a políticos, enviado pelo doleiro Alberto Youssef acusa Eduardo Cunha de ser um dos beneficiários do esquema. Careca teria levado dinheiro na casa do deputado. Mas isso é fichinha perto do depoimento de Youssef que já teve sua delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. A delação do doleiro pode ser o tiro de misericórdia na candidatura de Cunha à presidência da Câmara”, escreveu Garotinho, em seu blog.
– Como podem ver, Cunha e seu grupo agora partem para as ameaças e já admitem uma possível derrota. É uma mudança de postura radical, antes estavam em clima de ‘já ganhou’. Isso demonstra que Eduardo Cunha sentiu o golpe de ter seu nome envolvido entre os supostos beneficiários de propina do Petrolão que o MPF pedirá para serem investigados. E janeiro está só no começo. Até a eleição, no início de fevereiro, ainda teremos muitos rounds nessa disputa – acrescentou, na entrevista.
Eric David Bello foi sócio da corretora de valores mobiliários Turfa, “sendo responsável por prejuízos milionários no Rio-Previdência e na Prece, o fundo de previdência da Cedae”, concluiu.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Líder do PMDB, Eduardo Cunha será alvo da Procuradoria na Lava Jato


O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), favorito na disputa pela presidência da Câmara no próximo dia 1º, é um dos citados na Operação Lava Jato da Polícia Federal e terá uma investigação a seu respeito pedida pelo Ministério Público Federal ao STF (Supremo Tribunal Federal).
De acordo com investigadores que atuam no caso, ele é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef.
O doleiro triangulava as operações investigadas envolvendo funcionários da Petrobras, empreiteiras contratadas pela estatal e políticos.
Cunha sempre negou ter qualquer envolvimento com o esquema apurado pela PF.
Segundo a Folha apurou, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve pedir a abertura de inquéritos e apresentar denúncias contra os envolvidos no esquema que têm foro privilegiado na primeira semana de fevereiro, quando forem reabertos os trabalhos do Supremo.
Denúncias serão apresentadas contra os que o Ministério Público considera ter provas de participação no esquema. Já os inquéritos serão abertos contra aqueles que têm contra si somente indícios de participação em transações criminosas –Cunha está neste segundo grupo, segundo a Folha apurou.
A partir do pedido de abertura de inquérito, caberá ao relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, aceitar ou não o início das investigações sobre Cunha e os demais suspeitos que se encaixam nesta situação. É praxe na corte, no entanto, acatar este tipo de demanda.
A aceitação do inquérito não significa culpa. Somente após as investigações e o processo no STF, os acusados serão inocentados ou condenados por eventuais crimes.
De acordo com a Polícia Federal, o "Careca" seria responsável por entregar dinheiro em espécie a pessoas indicadas pelo doleiro Youssef.
Ele também teria se aproveitado da condição de policial federal para facilitar o embarque e desembarque de outros funcionários do doleiro em aeroportos.
O policial chegou a ser preso na sétima fase da Operação Lava Jato, mas foi solto alguns dias depois.
O juiz responsável pelo caso na Justiça Federal do Paraná, Sergio Moro, porém, o manteve afastado da PF até o final da apuração. O policial chegou a ofertar uma delação premiada, mas ela não foi aceita inicialmente.

Editoria de Arte/Folhapress

HENRIQUE ALVES FORA
Investigadores que atuam na Lava Jato também entendem que o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deverá se livrar das investigações do caso em fevereiro.
Conforme a Folha apurou, são considerados fracos os indícios contra Alves, contra quem não deve haver nem um pedido de abertura de inquérito para analisar suposta ligação com o esquema de desvio de recursos da Petrobras e lavagem de dinheiro.
Sem investigação, ele terá o caminho aberto para assumir um ministério no governo de Dilma Rousseff, provavelmente a pasta do Turismo.
Deputado que não disputou a reeleição, Henrique Alves informou publicamente ter pedido aos seus correligionários que não trabalhassem para ele assumir uma cadeira na Esplanada até que ficasse claro que o peemedebista não estava entre os alvos da Operação Lava Jato.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Amanhecer entre nuvens, na Lagoa Rodrigo de Freitas.Previsão de chuva no Rio. Foto: Fernando Quevedo / Ag.O Globo

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Jornal O Globo


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domingo, 7 de dezembro de 2014

Com IDH médio ou alto, comunidades da cidade deixam de ser redutos de miséria

Favelas do Rio têm IDH-M — calculado com base em dados de escolaridade, saúde e renda dos censos do IBGE — em muitos casos melhores do que os de estados brasileiros

por

RI Rio de Janeiro (RJ) 05/12/2014 DH Favela - Comunidade Santa
 Marta, Botafogo. 
Foto Marcos Tristão - Marcos Tristao / Agência O Globo
RIO - Quando olha para o passado, a cabeleireira Cristina Vitor tem certeza de que sua vida melhorou muito. Em 2000, ela trabalhava como auxiliar de serviços gerais e ajudante numa creche — ou, como prefere falar, “no que aparecesse”. O sonho de fazer cursos na área de beleza ainda era distante, mas, ao longo da década, Cristina se matriculou em alguns. Em 2004, já tinha aberto um salão de beleza informal, na sala da casa onde morava com o marido e três filhos, no Morro Dona Marta, em Botafogo. Com clientela fiel, foi equilibrando escovas, relaxamentos e manicures com a hora do almoço e a de mandar as crianças para a escola. Há um ano, já com a favela pacificada, inaugurou um salão “de verdade”, com quatro auxiliares. A renda saltou para R$ 3 mil mensais, já descontados os salários das ajudantes e o aluguel de R$ 1,5 mil. A história de sucesso de Cristina, que nasceu e cresceu numa favela do Rio, é mais comum do que se imagina, como mostram dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) das regiões metropolitanas, divulgados em novembro pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Ipea e a Fundação João Pinheiro. Eles revelam que todas as favelas da cidade do Rio têm IDH-M — calculado com base em dados de escolaridade, saúde e renda dos censos do IBGE — médio ou alto. Em muitos casos, são até melhores do que os de muitos estados brasileiros.
 
 
Enquanto o IDH-M da cidade do Rio subiu 11,59%, na comparação entre 2000 e 2010 (de 0,716 para 0,799), no caso do Dona Marta, o salto foi bem maior. A comunidade deixou para trás um índice de 0,563 (em 2000), considerado baixo, e pulou 21,4%, alcançando 0,684 em 2010, já no patamar médio. O empreendedorismo e a vontade de aprender dos moradores ajudam a explicar o fenômeno. Até 2009, Salete Martins trabalhava num trailer da favela, vendendo água, refrigerantes e sanduíches. Quando chegaram a pacificação e o projeto de incentivar o turismo no morro, ela enxergou uma nova oportunidade de vida. Fez dois anos de um curso de capacitação e hoje é guia e técnica em turismo:

— Abri minha empresa de receptivo há dois anos. Tem dado muito certo. Uma empresa que fez o tour comigo gostou do meu trabalho e deu uma bolsa para eu estudar francês na Aliança Francesa. Já me viro no inglês porque um turista, que também fez tour comigo, me dá aulas como voluntário. Se Deus quiser, nas Olimpíadas vou estar falando inglês muito bem.
Se na favela de Botafogo muita coisa vai bem, obrigado, na Gávea, uma outra comunidade exibe um IDH-M de fazer inveja a muitos municípios. A Parque da Cidade tem um índice de 0,746, equivalente ao do Rio Grande do Sul, sexto colocado num ranking dos 27 estados brasileiros e Distrito Federal. A Vila Canoas, em São Conrado, também está no mesmo patamar. Numa das maiores comunidades do Rio, a situação também não é ruim: a Rocinha avançou 18% no IDH-M, segundo o levantamento. Entre as comunidades que evoluíram da condição de IDH-M baixo ou muito baixo para médio se encontram Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Rio das Pedras (Jacarepaguá) e Dona Marta.
Na Parque da Cidade, a escolaridade de seus moradores é um trunfo. O local — talvez pela proximidade com a PUC, talvez pela ausência de tráfico ostensivo — tem atraído cada vez mais alunos de universidades dispostos a fugir dos altos preços de aluguéis na Zona Sul e estudantes estrangeiros. Mas, na comunidade, onde é possível alugar uma quitinete por R$ 800, bem mais em conta do que no asfalto, também é possível encontrar jovens que concluíram o ensino médio e agora investem na faculdade. E não é difícil identificá-los: na última sexta-feira, Isaac Albuquerque, estudante de geografia na PUC, descia as vielas explicando os problemas da Faixa de Gaza para o colega Israel Silva, aluno de design na mesma universidade. Ambos nunca moraram no asfalto. E não se consideram exceções:
— Conheço pelo menos uns 40 jovens daqui que estudam na PUC. Eu passei para lá e consegui bolsa — conta Israel, que não tem dúvidas de que a situação familiar vem melhorando. — Minha família hoje tem uma situação melhor do que a de quando eu era criança. Minha mãe começou como vendedora de uma padaria e hoje está na parte administrativa, com salário mais alto.
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Para especialistas, o desempenho nas comunidades se explica por uma série de fatores. Eles citam investimentos do poder público (União, estado e prefeitura) de pelo menos R$ 4,5 bilhões nos últimos 20 anos na urbanização de comunidades; o surgimento de uma nova classe média; as políticas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, e a estratégia de retomada de territórios controlados pelo tráfico, com a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Para o economista e ex-presidente do IBGE Sérgio Besserman, por exemplo, os dados ajudam a derrubar mitos:
— O que esses indicadores comprovam é que caracterizar favelas como locais pobres ou miseráveis é bobagem. Até porque 2/3 da população carioca que vivem abaixo da linha da pobreza não estão nas favelas. Além disso, era de se esperar que os indicadores melhorassem, não apenas por causa de obras de urbanização, mas de outros fatores, como a redução da evasão escolar.
O fundador da ONG Central Única das Favelas (Cufa), Celso Athayde, observou que esses indicadores se somam a outros que mostram a vitalidade das comunidades. Ele cita pesquisa feita em setembro pelo Instituto Data Favela, que estimou em R$ 64 bilhões a receita gerada por moradores de favelas em todo o Brasil. Desse total, R$ 12 bilhões são do Rio:
— Os investimentos em urbanização e a implantação de UPPs serviram para impulsionar a economia das comunidades. Muitas favelas podem nem ter recebido tantos investimentos públicos ou sequer estarem no planejamento de ganhar uma UPP, mas o clima de expectativa da melhoria dos serviços já contribui para o ambiente. Isso se reflete nos indicadores. A nova classe média que surgiu nessas comunidades nos últimos anos muitas vezes opta por permanecer onde sempre viveu — acrescentou Celso Athayde.
Para o coordenador do grupo AfroReggae, José Júnior, os problemas ainda existem. Mas a realidade obriga a rever o conceito de favela:
— A definição do que é favela deve ser entendida mais pelo aspecto cultural e por particularidades arquitetônicas do que propriamente por inexistência de serviços oferecidos pelo poder público. A tese de que tudo está ruim nas comunidades é mais uma discussão política do que realidade.
No levantamento, os pesquisadores calcularam os indicadores tentando reunir dados de regiões com perfis socioeconômicos parecidos. O coordenador do estudo no Rio, Marco Antonio Santos, do Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas da Fundação Ceperj, observou que, por isso, em alguns casos, o IDH-M pode não respeitar completamente os limites geográficos.
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‘ELAS TÊM QUE SER TRATADAS COMO BAIRROS’, DIZ ECONOMISTA IB TEIXEIRA
A designação de favelas para muitas comunidades do Rio não se aplica mais. Para mim, elas têm que ser tratadas como bairros, inclusive pelo poder público. A polícia e outros órgãos deveriam dar o exemplo, substituindo oficialmente a nomenclatura como definem essas áreas. A gente observa essa mudança no dia a dia. A qualidade de vida mudou muito, e testemunhei isso de perto. Por anos, morei em Santa Teresa e pude observar as mudanças que ocorreram nas comunidades do bairro.
Nas comunidades do Rio de Janeiro, praticamente não existem mais barracos de madeira, por exemplo, e a oferta de serviços de saúde e educação foi ampliada. Os investimentos em infraestrutura no Rio de Janeiro, inclusive, foram bem maiores do que em outros estados, onde as condições de vida permanecem bastante precárias, como no passado.
Essa mudança se explica porque, ao longo do tempo, as favelas também passaram a ter um peso político importante, que influiu nas decisões sobre o destino dos investimentos públicos. É claro que as comunidades ainda enfrentam problemas, como a violência, mas esse é um desafio com o qual quem vive no asfalto também precisa conviver.

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6 comentários

  • Heitor Vianna P Filho
    Absurdo total se institucionalizar favelas, melhoradas ou não, pois sempre são considerados guetos. Pior quando induzem nas pessoas que "são bairros comuns" ! E tem favelado que diz que é bom, nasceu lá e quer ficar lá - lavagem cerebral. Viraram inclusive pontos turisticos e levam autoridades estrangeiras nestas. E falar em IDH é piada : Temos um dos piores IDH no Brasil. Chile, Argentina e Uruguai tem os maiores, sendo do Grupo I, onde estão um EUA e Noruega. Por acaso Argentina tem Favela ?
  • Tecrj
    Querem ter  o  mesmo  IDH   da  Noruega   e   dos  outros  países  escandinavos ???   É  só  adotar  a  mesma  legislação   desses  países  para  o  planejamento  familiar  :  aborto livre até  120  dias  da  inseminação   e   ligadura de  trompas  e / ou vasectomia   espontânea   INCONDICIONAL .  O  que  temos atualmente  servia  bem    para   a   época  da  escravatura .
  • Heitor Vianna P Filho
    Teste.
  • Alfredo Soares Filho
    É patético. Querem acabar com as favelas do rio de janeiro por decreto, como se isso fosse possível. Favela é um lugar miserável por definição. Não adianta criar IDH artificial e chamar economista de araque para dizer que favela é bom para justificar o absurdo descaso do poder público e da sociedade carioca que permitiu a proliferação de favelas que tomaram conta do município. O jornal deveria tomar uma atitude oposta: a de promover a REMOÇÃO das favelas.
  • Edgar Allan Poe
    Nós pagamos tudo, hipócritas.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mar avança sobre o Paraíba do Sul, no RJ, e água sai salgada da torneira

Paula Bianchi
Do UOL, em São João da Barra (RJ)

Estiagem baixa nível do rio Paraíba do Sul e saliniza água17 fotos

5 / 17
As águas do Paraíba do Sul abastecem vários municípios do estado do Rio de Janeiro, inclusive a capital. A estiagem no Sudeste vem causando a salinização da água e o assoreamento do leito. Em muitos pontos, é possível atravessar o leito do rio caminhando, em locais antes navegáveis Mauro Pimentel/UOL
A água que chega na torneira da casa do pescador Vitor Pereira, 38, há algumas semanas traz um gosto de sal. Em breve, planeja, será preciso comprá-la. Morador de Atafona, distrito de São João da Barra, no norte fluminense, ele acompanha há anos a briga entre o mar e o rio Paraíba do Sul, que encerra ali o seu percurso. Ao todo, as águas do Paraíba percorrem 1.100 quilômetros, três Estados e 184 cidades, desde a nascente, na serra da Bocaina, em São Paulo, até a foz, a poucas quadras da casa de Pereira. Com a seca que atinge a região e levou o volume do rio ao seu nível mais baixo já registrado, no entanto, a disputa, que parecia empatada, se inverteu.
Onde alguns meses atrás havia um cais de cinco metros de profundidade, há agora uma praia. Os pescadores são obrigados a esperar a maré cheia para poder partir sem risco de encalhar - a pesca é uma das principais atividades do município, localizado a 316 quilômetros do Rio de Janeiro.
"O mar tomou conta", diz Pereira, que calcula ter diminuído pela metade a sua produção. "Antes a gente saía o dia inteiro para pescar, agora só com a maré cheia. O peixe de água doce também não vem mais, tem que entrar cinco, seis quilômetros rio adentro para encontrar."
Junto com ele e outros pescadores, Aldair Gomes da Silva, 42, se apressava para preparar a rede e sair assim que o nível da água se elevasse. Ele perdeu um barco preso em um banco de areia há algumas semanas. "A gente agora trabalha com hora marcada", diz.

Você acha que vai faltar água no Rio de Janeiro?

Resultado parcial
A falta de força do rio para impedir a entrada do mar, chamada de "língua salina", prejudica também o abastecimento da cidade, de 32 mil habitantes. Em muitos pontos, a Cedae (Companhia de Águas e Esgotos) não tem conseguido captar água, que passou a ser retirada de poços artesianos cavados emergencialmente pela prefeitura. Creches e escolas têm sido abastecidas por caminhões-pipa desde o fim de outubro.
A administração do município começou a dragar um canal de cerca de 400 metros no rio a fim de ampliar a sua vazão e, ao menos, amenizar o problema. Perto das máquinas, o Paraíba, que antes vertia água criando lagos em seu caminho até o mar, agora lembra um riacho.
O MPF (Ministério Público Federal) entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) a fim de que seja decretado estado de "calamidade hídrica" no Estado. No dia 7 de novembro, o nível dos reservatórios equivalentes do Paraíba do sul (que representa a média dos níveis das diferentes represas) chegou a 5,9% - na mesma época do ano passado esse número beirava os 50%. 
"São João da Barra e outros municípios da região estão com problemas graves. Não se pode considerar que são situação isoladas", afirma o procurador Eduardo Santos de Oliveira, responsável pela ação, que defende uma ação imediata do governo. "O rio está seco. O que podemos fazer é tentar impedir que esta situação piore."

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Francisco Portinho, enviou um ofício à ANA (Agência Nacional de Águas) no qual questiona a quantidade de água que existe no volume morto do reservatório de Paraibuna e qual percentual poderia ser utilizado. O secretário também pediu apoio da ANA na "elaboração e execução de um "plano de contingência".
O aposentado Lenilson Fernandes Braga, 65, que cresceu ao lado do Paraíba, diz nunca tê-lo visto tão baixo, e faz coro ao procurador. "Seca sempre teve, mas assim, com a água ficando salobra, não consigo lembrar. A situação da gente está muito triste."

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sábado, 8 de novembro de 2014

Beltrame anuncia novo comandante geral da PM-RJ

Coronel Alberto Pinheiro Neto assumirá o cargo a partir de 2 de janeiro.
José Luís Castro deixa o cargo após inúmeros escândalos de corrupção.

Janaína Carvalho Do G1 Rio

O coronel José Luís Castro Menezes não é mais o comandante geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), segundo anúncio do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano

Beltrame, na manhã desta sexta-feira (7). O coronel Alberto Pinheiro Neto, que estava na reserva, assumirá o cargo a partir de 2 de janeiro de 2015. Até esta data, o coronel Ibis vai ficar no comando interinamente. Castro deixa o cargo em meio a escândalos de corrupção envolvendo a cúpula da Polícia Militar do estado.

Sobre os escândalos de corrupção envolvendo a cúpula da Polícia Militar, Beltrame admitiu que situações como as que ocorreram mancham a imagem de um comandante, mas enfatizou que o momento é de mudança.

“Os episódios que aconteceram, sem dúvida nenhuma, estremecem com o comando ou com qualquer pessoa que está no centro dessa discussão. Agora, a troca se deu porque estamos  em um momento de virada. Temos um cenário político que vai ser continuado, e precisamos avançar e mostrar para a sociedade outras discussões e propostas”, afirmou Beltrame.
O secretário destacou ainda que novo comandante terá carta branca para fazer qualquer tipo de mudança que achar necessária na polícia militar.
“Assim como eu só trabalho com carta branca, eu só posso deixar que quem trabalha comigo tenha carta branca. Se tiver que mexer no comando do COE, no comando da UPP, ele pode mexer’, afirmou.
Beltrame ainda descartou mudança na chefia da Polícia Civil do Estado neste momento.
“O doutor Veloso chegou em abril, são 7 ou 8 meses. Além do mais, acho que a Polícia Civil vem fazendo trabalhos fantásticos, mudando paradigmas de investigação. Você tem aí essa questão do aborto, vão ver aí na próxima semana investigações complexas, e com nível de profissionalismo muito alto. Não vejo porque mexer”, garantiu Beltame.
Investigações
Em setembro, a 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar instaurou um procedimento investigatório criminal militar para apurar denúncia de pagamento de propina ao Estado-Maior da Polícia Militar do Rio. No início de setembro, 24 PMs foram presos na operação “Amigos S.A”, que revelou que policiais cobravam propina para fazer “vista grossa” para as atividades ilegais praticadas na Zona Oeste do Rio. Entre os presos estava o coronel Alexandre Fontenelle, considerado o terceiro homem na hierarquia da corporação.

No início de outubro, o tenente-coronel Dayzer Corpas Maciel, comandante do 17°BPM, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, e outros 15 policiais militares lotados na unidade foram presos em uma ação da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. Sob o comando do coronel Dayser Corpas, policiais eram proibidos de reprimir a venda de drogas, o transporte alternativo clandestino de vans e Kombis e mototaxistas ilegais na região.
O coronel Castro assumiu o cargo em agosto de 2013. Ele substituiu o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, que ocupou a cadeira maior da Polícia Militar do Estado durante um ano e 10 meses.
Pinheiro Neto já havia sido cotado para ser comandante-geral da PM na crise aberta com o assassinato da juíza Patrícia Acioli em 2011 e que culminou no pedido de demissão do então comandante, o coronel Mario Sérgio Duarte. O novo comandante da PM também já foi comandante do Batalhão de Operações Especiais. Ele foi integrante da tropa de elite da PM durante 14 anos.

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.